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A Escola em setembro

(*) por Nuno Fonseca Ferreira

As esperanças objetivas após o COVID-19 em relação à escola, variam de acordo com o grau de confiança que a família deposita na escola dos seus filhos para o cumprimento das mais exigentes regras de segurança. Uma nova cultura de segurança para a escola é o que os encarregados de educação podem e devem exigir a uma comunidade educativa ativa.

As esperanças subjetivas dos alunos em relação à escola variam segundo as probabilidades objetivas de relação entre níveis de aspiração e possibilidade(s) de sucesso. “Além disso, para alguns a cultura escolar é idêntica à cultura que respiram na família, ao passo que para outros, ela representa uma aculturação”, de acordo com Bourdieu e Passeron (1964). As diferentes culturas, dos diferentes grupos sociais, convergem a diferentes aspirações sociais e escolares dos alunos.

Uma pessoa ou grupo, para agir, tem um sistema de valores de referência que funciona como quadro interpretativo nas leituras que são feitas da realidade. Destas leituras individuais decorrerão as atitudes adotadas no futuro.

A sobrevivência escolar é fortemente marcada pela origem social dos alunos. Estes, de forma distinta, formulam os seus valores em relação à escola – os valores dos grupos sociais desfavorecidos; e, os valores do grupo social favorecido.

Com a manutenção do número de alunos por turma, os alunos de proveniência social ou estatuto socioprofissional mais baixo vão sentir um aumento da sobrevivência escolar e social. Sem capacidade para remunerar apoios escolares paralelos (Explicações) aguardamos uma espiral de desigualdades sociais e escolares no próximo ano letivo.

A manutenção do número de alunos por turma condiciona de forma distinta as aspirações dos alunos de origem social diferente, os alunos do litoral e os do interior, os da capital e os da cidade, os da aldeia e os da cidade de forma perversamente distinta. O sucesso é alcançado mais facilmente apostando em políticas ativas que tendencialmente promovam a diminuição do número de alunos por turma. Assim haja dinheiro para apostar na educação em detrimento de outras prioridades.

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