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HOTEL TURISMO DA GUARDA: parado no tempo

Hotel Turismo (antes dos tapumes, 2012)

O Hotel de Turismo da Guarda foi um argumento eleitoral na disputa autárquica em 2013, com um grupo de jovens, a lavar a cara e colocar tarjas onde se podia ler “Os Jovens Guarda com Futuro querem o Hotel de Volta”.

Ao observador, Álvaro Amaro, dizia que a sua promessa eleitoral, era “Reabrir o Hotel de Turismo da Guarda, um edifício histórico da cidade que está encerrado desde 2010, altura em que foi vendido pelo executivo anterior (PS) ao Turismo de Portugal”.

Após o anúncio em fevereiro de 2018, que o edifício do antigo Hotel de Turismo da Guarda ia ser recuperado pelo agrupamento de empresas MRG, no âmbito do Programa Revive, num investimento global estimado de sete milhões de euros. O autarca, Álvaro Amaro (PSD), disse numa conferência de imprensa realizada nas escadas do antigo hotel que “a Guarda deve rejubilar” com a decisão.

Em declarações ao DN, a 18 de fevereiro “o autarca fez saber que hoje conversou com o presidente do grupo empresarial, a quem transmitiu que o processo terá uma “via verde” no município para que “possa ser executado ainda em menos tempo do que em quatro anos“.

Ou seja, para que até ao fim deste mandato autárquico, mas se não for assim, que seja muito próximo, nós possamos inaugurar este novo edifício requalificado. Com um investimento que se estima à volta de sete milhões de euros, nós possamos devolver este hotel, em primeiro lugar, à economia nacional porque a economia da Guarda faz parte da economia nacional“, afirmou Álvaro Amaro. Efetivamente tal nunca veio a acontecer!

O contrato de concessão de recuperação do Hotel de Turismo da Guarda, no âmbito do programa Revive, foi assinado em maio de 2018 com o consórcio MRG Property e MRG Construction, mas devido a dificuldades financeiras (PER) o consórcio cedeu a sua posição contratual à empresa Greenfield SGPS.

As obras no Hotel estão paradas e apenas foram colocados tapumes. O autarca rumou a Bruxelas e nunca concretizou a sua principal promessa eleitoral. A Guarda continua com um edifício em ruinas, em frente à Camara da Guarda à espera que a obra seja iniciada.

Hotel Turismo da Guarda

O Hotel de Turismo contínua encerrado e muito danificado no interior. A degradação crescente do Hotel nos últimos 8 anos foi acentuada pelo que o orçamento inicial para recuperação do edifício poderá não ser suficiente para garantir a recuperação.

Pelo meio, houve duas tentativas de resolver a situação, mas a intenção de Álvaro Amaro continua por concretizar.

Com forte presença no centro da cidade da Guarda, o edifício de porte majestoso, foi construído em 1936 por iniciativa municipal, com projeto do Arquiteto Vasco Regaleira, na sequência de um concurso público do “hotel modelo” para as várias regiões do país, lançado pelo então “Comissariado de Turismo”.

O Hotel foi inaugurado em 1947 e mais tarde, em 1958, ampliado e classificado de 3 estrelas, ficando com um total de 2 suites e 101 quartos, apoiados por restaurante, bar, piscina e pequeno jardim.

O edifício possui uma imagem regionalista baseada no modelo das “Casas Portuguesas”, defendido pelo Arquiteto Raúl Lino, e com orientações pessoais do Engenheiro Duarte Pacheco, então Ministro das Obras Públicas e Comunicação. Apresenta um marcado ritmo de pilastras e elementos arquitetónicos de granito talhados a pico fino, sendo também marcantes a forma dos telhados e o volume central da entrada principal.

Os interiores possuem paredes rebocadas à talocha, silhares de azulejos policromos, portas e guarda-ventos em madeira de castanho, pavimentos em ladrilho de granito e tetos com pinturas a fresco que imitam a técnica do século XVIII, bem como tetos em madeira de castanho.

Fotos: Autor desconhecido