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CENTRO HISTÓRICO: “Para ser grande, sê inteiro: nada”

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

(*) Ricardo Reis

Os “centros históricos são um elemento incontornável da dimensão discursiva das intervenções urbanísticas” e das políticas de reabilitação urbana nas cidades. Os “centros históricos” constituem um elemento determinante de uma nova poesia do espaço urbano – são um espelho da política cultural de uma cidade.

Se é verdade que quando as mudanças são acentuadas, e mais visíveis é que essas alterações na traça tornam os efeitos mais percetíveis. Maior é a sensação de perda e a tentação para imaginar um passado harmonioso que, supostamente, se teria desenrolado neste “centros histórico”.

Também, não é menos verdade, que o despovoamento do “Centro Histórico” é o retrato fidedigno das políticas não centradas nas pessoas.

“A desertificação dos centros urbanos é uma regra com muito poucas exceções” (Schmidt e Cardoso, 2007). Apesar de ser um clássico, este fenómeno continua a ser um dos principais problemas do centro histórico da Guarda.

Novos bairros nas periferias, obstruíram a permanência de jovens nos Centros históricos provocando simultaneamente a deterioração dos edifícios ocupados por parte da população idosa que, sem recursos económicos, se vê incapacitada para os recuperar.  A capital de Distrito não pára de perder população e os custos fazem-se sentir desde o centro histórico até às freguesias mais periféricas do concelho.

Efetivamente o traçado do centro histórico com ruas estreitas e em calçada, complica bastante a circulação dos automóveis (já limitada), o que condiciona também a mobilidade dos peões. Desde a rua do comércio até à rua do Torreão e do Sol muito se pode fazer para aumentar a mobilidade. Há soluções que podem ser aplicadas para melhorar a fluidez do trafego pedonal e até automóvel.

Outro especto fundamental que marca o nosso centro histórico é a carência de infraestruturas e equipamentos de saúde, por exemplo. Tendo em conta que a maioria da população residente no centro histórico é idosa, era de esperar a existência de infraestruturas de apoio, tais como centros de dia e lares. No entanto o mesmo não se verifica.

Os equipamentos culturais existem, desde D. Sancho à sombra da própria Sê. No entanto, o espaço envolvente de abandono acaba por fazer com que o espaço fique camuflado e pareça diminuído ao olhar das pessoas.

Antigamente o centro histórico era o local onde se efetuavam todos os negócios e atraia pessoas e criava uma dinâmica diurna no espaço.

Sendo o comércio crucial para a habitabilidade do centro histórico, o encerramento constante de espaços provoca uma perda da capacidade de atracão da população que não quer viver neste tipo de centros. Assim, o clima de insegurança agrava-se, o que trás inúmeras consequências no tecido urbano. Faltam incentivos fiscais! Mobiliário urbano caro não é solução para atrair pessoas.

A recuperação e manutenção do património cultural, do qual o centro histórico faz parte, é um dever obrigatório das entidades competentes e da população que nele habita e visita.

Os políticos têm de criar condições de preservação da identidade, e da função habitacional, comercial e económica desta zona, permitindo assim que se possa continuar este acumular de culturas e tradições no “Centro Histórico da nossa cidade”.

“Para ser grande, sê inteiro: nada”

“(…) Brilha, porque alta vive.”