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COMUNICAÇÃO COVID-19: Um silêncio absurdo na Guarda

 

 

Apesar de no quotidiano atual a palavra saúde assumir relevância em todos os contextos da nossa vida coletiva na Guarda, o momento, revela-se difícil. O concelho da Guarda tem 519 infeções ativas (40%) das infeções ativas no distrito da Guarda (1294).

 

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

 

A comunicação das autarquias no Distrito da Guarda tem assumido especial relevância nos últimos meses, para informar, prevenir, apoiar e ajudar os munícipes neste momento complexo. Quase todas as autarquias do Distrito da Guarda, independentemente da ideologia política, têm comunicado com os cidadãos de forma direta e exemplar, exceto o Município da Guarda que optou por uma estratégia de “mudo e calado” sobre a evolução Covid-19, no concelho da Guarda.

 

Curiosamente o concelho da Guarda é um dos mais afetados no Distrito, com surtos de infeção dentro da própria instituição autárquica e comunidade escolar gerida por esta.

 

A comunicação das organizações tende a ser cada vez mais estratégica, sem exceção para as Câmaras Municipais. Também as autarquias têm necessidade de planear e gerir a sua identidade no sentido de promover uma imagem positiva, informar os munícipes com rigor e, consequentemente manter uma reputação de longo prazo.

 

Mas deixar os Munícipes “ao sabor do boato que circula entre populares” e da informação que os media vão produzindo, com uma determinada periodicidade, pode ter consequências catastróficas. Uma organização que não consegue comunicar com o seu principal “cliente” que é o munícipe é uma organização cuja gestão merece ser repensada, da base até à liderança.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca a importância da relação entre a área da Saúde e da Comunicação, no sentido da proliferação da informação e promoção do bem-estar, tanto individual quanto coletiva:

 

“A comunicação em saúde é uma estratégia-chave para informar o público sobre questões de saúde e para manter importantes problemas de saúde na agenda pública. O uso dos meios de comunicação de massa e multimédia bem como de outras inovações tecnológicas para divulgar informações úteis sobre saúde para o público, aumentam a consciência de aspetos específicos da saúde individual e coletiva, bem como a importância do desenvolvimento da saúde” (OMS, 1998: 8).

 

Neste sentido, importa refletir sobre o papel, cada vez mais preponderante, que a comunicação autárquica (Município – Cidadão) tem vindo a assumir na área da saúde e quais as consequências da sua falta!