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GUARDA: “Braços Cruzados à espera que a pandemia passe”?

 

O NERGA fez o trabalho de casa e enviou um questionário a todos os seus associados, com a finalidade de conhecer a realidade económica e social das empresas da região e compreender a sua perceção quanto ao futuro das empresas.  

 

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

Do estudo resultou que “para 79,5% dos inquiridos, a possibilidade de dispensar colaboradores é uma forte opção para evitar maiores dificuldades”. Resultado extremamente preocupante para uma economia débil como a que temos na Guarda. Falamos de pessoas!

 

Este cenário a confirmar-se, exige um pacote de medidas de apoio às famílias da Guarda, e às pequenas empresas, com o objetivo de minimizar os efeitos nefastos da covid-19 e complementar as medidas de apoio que o Governo já lançou.

 

Urge apoiar de forma desinteressada quem precisa e aqueles que teimam em ficar a residir no interior – os autarcas da Guarda têm ferramentas para o fazer de forma transparente e assertiva.

 

Mesmo sabendo que algumas medidas terão impacto financeiro nos cofres municipais, é tempo de fazer opções políticas “entre o que é possível para salvaguarda do bem-estar” dos Guardenses e os “eventuais investimentos em festas que poderão e deverão ser adiados”.

 

Por exemplo, com o objetivo de apoiar a restauração e o comércio local, a Câmara Municipal da Guarda devia utilizar as verbas orçamentadas para os eventos em grupo, que não vai poder realizar, para apoiar as famílias e a economia local.

 

Outro exemplo, a comparticipação das rendas com ajudas adicionais, destinadas à habitação no caso de perda significativa de rendimentos decorrente de situação de lay-off e/ou de desemprego.

 

A redução em 90% durante seis meses da fatura da água a agregados familiares com redução de rendimentos resultante de lay-off ou desemprego. Ou a simples redução da taxa do IMI.

 

Apoiar os empresários em nome individual, as micro e pequenas empresas que, tendo mantido os postos de trabalho, se encontram em situação de emergência financeira e risco de encerramento – pode sair barato.

 

Ou, adquirir aos pequenos produtores locais do concelho, com especial preferência no comércio tradicional, os produtos destinados aos cabazes de Natal para as famílias carenciadas.

 

As verbas a disponibilizar, podiam ser traduzidas em voucher(s) de desconto para usar no comércio tradicional e restauração do concelho da Guarda.

 

Urge definir um modelo de cooperação económica partilhada entre o comércio local, o setor da restauração e a autarquia que se possa traduzir num benefício direto às micro e pequenas empresas geradoras de emprego no concelho.

 

Ao mesmo tempo, as famílias da Guarda também sairiam beneficiadas porque obteriam descontos na aquisição desses bens e serviços. Um modelo simples, mas uma boa forma de ajudar o comércio local e a restauração neste tempo de fortes restrições devido à pandemia.

 

Já agora, Intensificar a realização de testes rápidos à comunidade escolar, aos profissionais e utentes das IPSS, aos trabalhadores da Camara Municipal, entre outros, pode ser dinheiro bem aplicado!

 

Ficar de braços cruzados, como está a autarquia da Guarda, à espera que a pandemia passe, poderá não garantir a sobrevivência…

 

 

E uma infinita tristeza,

Uma funda turbação

Entra em mim, fica em mim presa

 

Já nem o(s) sem pelouros se ouve(m) na quieta melancolia

Já nem “cai neve na Natureza – e cai no meu coração (*)

 

 

 

(*) Adaptado de Augusto Gil