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GUARDA: 821 anos – Parabéns!

Eis que a Guarda faz 821 anos. Parabéns!

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

Num dia algo cinzento que iniciou na Guarda o hastear das bandeiras, seguida da sessão evocativa, presidida pelo Presidente da Câmara, Carlos Chaves Monteiro comemora-se os 821 anos da cidade da Guarda.

O Município da Guarda entregou uma medalha de Mérito Municipal ao presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social, Lino Maia, numa homenagem simbólica a todas as IPSS do concelho da Guarda. Obrigado a todas as IPSS! Que na Guarda são o único suporte desta terrível doença.

Em ano Pré-eleitoral, o Presidente da Câmara da Guarda anunciou a criação de até 1000 postos de trabalho em 2021. Pode ser!

Segundo informação do INE, o número de empresas com sede no concelho da Guarda registou uma quebra de cerca de 150 empresas entre 2009 e 2017. Fazer num ano eleitoral o que não se fez em dois mandatos autárquicos? Pode ser.

Foram perdidos 711 postos de trabalho, entre 2009 e 2017, nos sectores da Construção (F), Comércio (G) e na Restauração (I) no concelho da Guarda (*INE) e criados 360 postos de trabalho nos sectores da Agricultura, produção animal, caça, floresta, Transportes e armazenagem, Atividades administrativas e dos serviços de apoio e Atividades de saúde humana e apoio social. Em plena pandemia, existe uma proposta política para a criação de empregos líquidos positivos! Mil empregos?! Atrair novos empresários para a Guarda? Talvez.

A credibilidade na governação assenta nas decisões de gestão dos recursos económicos e sociais existentes, decisões tomadas, implementadas e avaliadas, coerência das propostas, com o objetivo de prover e promover o desenvolvimento, segurança na saúde e bem-estar das populações de um concelho. A credibilidade é essencial para a governação política. Os políticos por vezes para enfrentarem quimeras internas apresentam alguns dislates – propostas que mais não são que propaganda eleitoral. Não pode ser.

Dezembro é o mês do Natal! É tempo de celebração, de união, de família e de um sentimento de esperança que se renova a 1 de janeiro de cada ano.

Começa mal este mês com a morte de Eduardo Lourenço, aos 97 anos, em Lisboa. O Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura da Guarda. Uma inspiração da governação Socialista na Câmara Municipal da Guarda, nos últimos 40 anos. Uma referência nacional.

Tem uma biblioteca com o seu nome na Guarda, mas a obra de Eduardo Lourenço não cabe em nenhuma estante, o seu nome não cabe na Guarda. Uma referência para a Guarda e uma relação que teve o seu expoente com a Criação do Centro de Estudos Ibéricos. Um homem que diria “na verdade, eu falo de mim em todos os textos. Tanto me faz que seja sobre política, literatura ou qualquer outra coisa.”

“A minha maneira de falar de mim é falar através de Fernando Pessoa ou de outro autor com quem eu tenho afinidade”.

(*) Triste de quem vive em casa,

Contente com o seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura.

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raiz —

Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem

No tempo que em eras vem.

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.

Grécia, Roma, Cristandade,

Europa — os quatro se vão

Para onde vai toda idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?

(*) Quinto Império, Mensagem, Fernando Pessoa

(Fim do artigo – www.guardanoticias.pt – As notícias da Guarda no Facebook e Twiter).