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SERRA ESQUERDA: Políticos tortos

Quando olhamos para o mapa de Portugal, sobressai a Guarda, com a serra da Estrela a marcar a fronteira geográfica com o litoral. Desde sempre, o litoral exerceu grande atração nas populações. Alguns teimosamente continuamos por cá.

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

Os egitanienses são o seu passado. Os egitanienses são também o que esperam do futuro. A resposta à questão “Como são os egitanienses?» começa provavelmente na geografia, na urografia, no clima frio e no seu passado e termina na resiliência da sua condição natural. Ao longo da história os egitanienses optaram por diferentes formas de organização política e social.

Algumas dessas formas de organização podemos chamar instituições. As instituições refletem longos processos históricos, acumulação de saberes e decisões políticas.

Os poderes e interesses instalados, nessas instituições, são sempre o grande obstáculo à mudança. Resistir à mudança faz parte da natureza humana.

Os choques internos no Município abalam a estabilidade das instituições e desencadeiam processos de mudança – mais ou menos atabalhoados.

Mas as reais mudanças vêm de dentro dos partidos que querem ser “a alternativa”. A esperança no futuro é a condição necessária para essa mudança acontecer em 2021.

Quanto mais elevadas forem as esperanças dos Guardenses, mais empenhados estarão nas suas resoluções de mudança. Mas de onde vem a esperança?

A Guarda não conseguiu acompanhar as transformações da última década. Em meados do ano passado já não era possível disfarçar o atraso em relação a concelhos vizinhos mais desenvolvidos tecnologicamente. Até o último Presidente da Câmara eleito emigrou para Bruxelas! O debate entre as causas desse atraso foi ganhando espaço na discussão política e entre as elites.

Nas últimas décadas do século anterior e na primeira década deste século, os fundos europeus permitiram recuperar o enorme atraso nas infraestruturas no concelho, com particular atenção nas nossas aldeias. Muito investimento bem concretizado! Não esquecer o presidente da “câmara das aldeias” – que fez obra efetiva de reconhecimento nacional! Levou efetivamente o saneamento, a água, a eletricidade, e outras infraestruturas às aldeias da Guarda. As grandes empresas foram captadas nas décadas passadas para a Guarda.

Quase todos os automóveis produzidos em Portugal têm componentes fabricados e, em alguns casos, desenvolvidos na Guarda – o famoso “cluster automóvel”. Mas para crescer é necessário atrair mais empresas para a Guarda, o que não aconteceu nos últimos dez anos. Uma imobilidade gritante!

Uma elevada incidência de pobreza nos jovens e nos idosos da Guarda, graças à total incapacidade dos políticos que nos têm guiado nos últimos anos neste concelho. A falta de experiencia profissional dos políticos, a falta de experiencias profissionais diversificadas, a falta de mundo, o excesso de ganância individual têm tolhido o desenvolvimento da Guarda misturado com os caciques partidários.

Repare-se que passado 8 anos, o atual executivo, descobriu o “porto seco”. Mas está construído? Não! É uma proposta do Governo Central – através da APDL (Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo) que é uma empresa publica. Os políticos locais discutem (outra vez) a relação geográfica da Guarda, a integração no mercado europeu (descobriram a cadeia de valor) e a revolução das tecnologias da informação (nos concelhos vizinhos). O Governo Central é que toma a dianteira e apresenta uma proposta de desenvolvimento económico para a Guarda. Aguardamos pela sua concretização.

Melhores infraestruturas, melhores tecnologias, mais escolaridade, o mesmo desenvolvimento: um paradoxo?

Os mesmos políticos!

(Fim do artigo – www.guardanoticias.pt – As notícias da Guarda no Facebook e Twiter).