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POLÍTICO: Confiante

 

“A confiança é a mãe do descuido.” (2)

 

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

 

O Estado novo, nome pelo qual ficou conhecido o regime político que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974, foi um regime autoritário de direita, vagamente inspirado no fascismo italiano nos anos 20 e 30 do século passado. As origens, a evolução, o regime e a revolução ao longo daqueles anos têm sido amplamente estudados e não serão esquecidos.

 

Importa acima de tudo relembrar as medidas de repressão do regime e a sua dimensão. Um regime que perseguiu a oposição e violou os direitos políticos e sociais de forma sistemática e deliberada para obter sucessos políticos individuais e regimentais para os seus.

 

Um regime autoritário de direita Chega para nos fazer pensar! Não devemos aceitar populismos de críticas a políticos ou a nomeações como argumento para regredir. Muito menos a comunidades! Temos que ser mais criteriosos e escrutinar mais – isso sim.

 

Procuramos colocar os nossos filhos com os melhores professores, somos exigentes a selecionar os melhores médicos para tratarem da nossa saúde. Recolhemos opiniões para selecionar os melhores advogados para defender os nossos interesses legais. Mas há sempre pelo menos dois elementos diferenciadores na escolha destes profissionais, a sua formação e a confiança. Mas para selecionar políticos – “quaisquer uns servem”! Os que gerem a nossa cidade, a nossa economia e o nosso país.

 

“A confiança é um acto de fé (1)” que permite superar riscos e assumir a escassez de capacidade para a participação na vida política partidária. Para ganhar a confiança de alguns Chega prometer a IV república. Problemas políticos existem e são bem graves mas não há xarope que resolva a maleita. E o xarope Chega não cheira bem!

 

Os problemas contemporâneos exigem uma administração pública competente, bem formada, legítima e profissionalizada e nem sempre compatível com a polarização política existente. Os partidos políticos procuram atores em quem possam depositar a sua confiança e lealdade partidária. Alguns não preenchem os requisitos, outros no passado não preencheram, e no futuro certamente que o padrão se repetirá.

 

A interação entre os “governos partidários” e a estrutura administrativa é incontornável no funcionamento da nossa democracia. A administração pública é uma “criação política” cuja arquitetura permite implementar as “decisões políticas”. Outra questão, não menos importante, é a neutralidade da administração pública que geralmente é considerado um importante atributo para absorver a sua legitimidade, na relação tanto com a esfera política quanto com os cidadãos. Os funcionários da administração pública local são o primeiro ponto de contato entre cidadãos e “governo” o que é particularmente relevante nesta época pandémica para que o exercício dessas suas funções sejam efetuadas com qualidade e orientadas para o “interesse público”.

 

Da mesma forma que cada um de nós escrutina e escolhe aqueles que por nós exercem determinadas funções – o arquiteto que desenha a nossa casa – escolhendo não apenas os que têm o melhor perfil académico e profissional, mas também os que nos são recomendados. Também os Ministros e Secretários de Estado selecionam os seus dirigentes considerando o grau de confiança política, profissional e muitas vezes pessoal que depositam nos dirigentes selecionados ou que lhes são recomendados. As nomeações não são um tabu – temos que ser mais exigentes com os políticos e apostar nos que estão melhor preparados para o desafio. “Às vezes, entre um homem e outro existe tanta diferença como entre um homem e um animal (2)”. São legítimas escolhas mas que não dispensam uma avaliação popular. Nunca vi um político no fim do mandato que lhe foi confiado pela democracia (falo dos eleitos), proceder a uma avaliação pública do seu desempenho. Não chega quando é afastado pelo voto!

 

“O meu avô disse-me uma vez que havia dois tipos de pessoas: as que fazem o trabalho e as que ficam com os louvores. Ele disse-me para ficar no primeiro grupo; há muito menos concorrência (3)” – e tu onde ficas?

 

  • (1)  Carlos Drummond de Andrade
  • (2) Baltasar Gracián
  • (3) Indira Gandhi

 

FOTO: HBR

 

 

 

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