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RESULTADOS: Sem surpresa – Uma revolta latente

 

Sem surpresa, Marcelo Rebelo de Sousa venceu as presidenciais à primeira volta. Não chegou aos números de Mário Soares em 1991, mas também não caiu para perto do limiar dos 50% que alguns auguravam. Evitou assim uma segunda volta ou os portugueses quiseram poupar-se a ir uma segunda vez “ao voto apetrechado de máscara e gel em riste”? A arma mais poderosa desta votação foi a máscara, o distanciamento ficou logo a seguir.

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

Ana Gomes segurou a nível nacional o segundo lugar por pouco mais de um ponto, André Ventura somou quase meio milhão de votos, os partidos mais à esquerda-esquerda tiveram uma noite negra, Mayan conseguiu ganhar a Tino de Rans, o liberalismo de pacotilha alaranjada a lutar com o “povo do trabalho” teve uma vitória de pirro, e a abstenção, sendo muito elevada (60,51%), foi afinal bem inferior ao que se chegou a temer. O liberal é de todos os candidatos o que menos rendimentos aufere por ano (segundo declaração de rendimentos entregue no TC). Que liberalismo é este? O calceteiro declara auferir bastante mais rendimentos que o “doutor liberal”? Para refletir o que é o liberalismo e o populismo empobrecedor do bem-estar das pessoas (noutra ocasião).

Bem vamos aos resultados (nacionais):

 

Marcelo Rebelo de Sousa – 60,7% (2.533.799 votos)

Ana Gomes – 12,97% (541.345 votos)

André Ventura – 11,9% (496.583 votos)

João Ferreira – 4,32% (180.473 votos)

Marisa Matias – 3,95% (164.731 votos)

Tiago Mayan – 3,22% (134.427 votos)

Vitorino Silva – 2,94% (122.734 votos)

 

 

Os resultados (no distrito da Guarda):

Marcelo Rebelo de Sousa – 64,04% (34.582 votos)

André Ventura – 14,33% (7.737 votos)

Ana Gomes – 10,44% (5.637 votos)

Marisa Matias – 3,47% (1.874 votos)

Vitorino Silva – 3,35% (1.810 votos)

João Ferreira – 2,46% (1.328 votos)

Tiago Mayan – 1,91% (1.030 votos)

 

Nesta eleição presidencial estavam recenseados no distrito da Guarda 55.349 eleitores, votaram 20.706 eleitores. Uma abstenção a rondar os 62,59%. Com 616 votos em branco e 735 votos nulos, (brancos + nulos) totaliza 1351 pessoas que se deram ao trabalho, apesar da pandemia, de se deslocarem à mesa de voto e sublinhar (para quem os queira ouvir) que não se revêm em nenhum dos candidatos, um valor ligeiramente superior à votação obtida pelo comunista no nosso distrito. O descontentamento popular com os políticos no nosso distrito é imenso, já ninguém se revê, nos políticos que temos. Uns políticos porque vivem do sistema, e alimentam famílias pelo sistema, outros porque os políticos não têm conhecimentos para gerir situações de cólera, alguns nem mesmo na bonança social que temos tido outros porque são alvo de chacota popular e até parecem gostar.

 

Enquanto o desagrado é despejado no boletim, o desgraçado contribuinte tem que continuar a labuta diária para pagar altos impostos no IMI, no IRS, no IVA, nos combustíveis e tantos outros, e agora nem pode sair de casa, mas os impostos para ele vão continuar. Não havendo uma subsidiação ao contribuinte individual e trabalhador. Mas vamos aos resultados.

 

Marcelo Rebelo de Sousa obteve no distrito da Guarda um resultado superior ao nacional (+3,34%) com o apoio do(s) maiores partidos do sistema, o PSD e PS, e o CDS e da igreja não foi um resultado surpreendente. André Ventura o candidato da revolta contra o sistema ficou em segundo lugar no distrito da Guarda e acima da média nacional (+2,43%) conseguindo atingir a marca dos 7.737 votos. Uma cólera viscérea diariamente vomitada na internet copulada pelos Guardenses. O poder da comunicação um-para-um e de um trabalho digital simples mas eficaz, onde um ex-militante do PSD aparece como um antissistema com uma camisa branca lavada um sobretudo pálido e uma gravata que vai mudando de acordo com as circunstâncias. Disse que se demitia se não ficasse à frente de Ana Gomes, haja homens de palavra!

 

Ana Gomes, a candidata obteve no distrito a terceira posição, não conseguindo superar os 6000 votos, com apenas 5.637 votos. Claramente a acusar a demissão de apoio dos mais destacados militantes socialistas. Os candidatos são importantes mas a máquina é determinante, diria. Exemplos de asininos que bem o podem confirmar na Guarda, não faltam – desde Valvez até Frasquinhos que mandamos voar, de todos os quadrantes vêm aqui promover-se e alguns nem se dão ao trabalho de agradecer. “Mandamos ignorantes para Lisboa a fingir que são dótores”, como diria o meu bom amigo das tertúlias.

 

A Marisa Matias, apesar do Bloco de Esquerda ter um dos piores resultados de sempre a nível nacional, no distrito acabou em quarto lugar. Um bloco que acusa o facto de ter fugido do apoio ao governo e uma ausência de bases programáticas coerentes e capazes de continuar a captar o voto jovem e rebelde. O bloco é hoje um partido conformado com a idade, virado para os seus interesses partidários internos e particulares e longe do sentimento de futuro de outros tempos. A Marisa Matias no distrito da Guarda ficou em linha com a média nacional (-0,48%).

 

Vitorino Silva (+0,41%) obteve 3,35% (1.810 votos) ultrapassou o Comunista João Ferreira (1.328 votos) e deixou ao longe o último lugar para Tiago Mayan (1.030 votos).

 

 

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