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Na política a ética é tudo. Falta talento?

 

Na política a ética é tudo. Todos sabemos quem são os pequenos corruptos pelo menos nos meios mais pequenos! Não chega falar deles no café. Inclusivamente porque os cafés estão fechados é preciso criar alternativas de combate e limpeza dos interesses instalados na sociedade.

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

Hoje é o dia em que começa a fase de vacinação contra a Covid-19 nos centros de saúde em Portugal. Um processo em que os destinatários vão receber a convocatória por SMS do 2424 para agendar a intervenção. O agendamento será comunicado pelo único número “fiável, fidedigno” para receber contactos quanto à vacinação. Um processo que desejamos célere e eficaz e tecnologicamente assertivo.

 

A novela da “batota nas vacinas” brota ao de cima a denominada pequena corrupção cá na terra, por vezes conhecida também como corruptela, cujas práticas se encontravam (teoricamente) mais ligadas a funcionários pertencentes aos quadros dos serviços públicos do Estado, os quais “vendem” as suas decisões funcionais em função dos interesses particulares a quem delas assim necessita. Alguns esquecem-se que também existe corrupção no privado. E para existir um corrupto tem necessariamente que existir um corruptor muitas vezes desculpado socialmente pela necessidade.

 

Nas vacinas a maioria dos casos vem de algumas IPSS (são casos pontuais, mas existem) que mais não são que uma extensão da FAMILIA S.A. muitas vezes financiada exclusivamente com dinheiros públicos. Os “pequenos favores”, “as cunhas”, “os fura filas”, “as famílias”, “o garrafão de vinho ou azeite”, a “galinha ou o cabrito” que fazem milagres na marcação da consulta vão até aos fura-filas na vacina. Um estado de espirito de uma sociedade revolta? Mas se desde o “emprego-publico para a afilhada, esposa ou amante” até à consanguinidade nas Universidades, onde o especialista de cátedra numa determinada área é há décadas da mesma família, porque não estaria também na vacina que permite sair à rua?

 

Cito Gonçalo Quadros, presidente do conselho de administração da Critical Software, uma das mais prestigiadas e internacionais empresas portuguesas de engenharia informática, “O grande problema continua a ser o da consanguinidade. As universidades têm de ser capazes de se abrir, de atrair talento e de romper com o ciclo da consanguinidade. As pessoas nascem, crescem e morrem dentro da mesma universidade. Não pode ser assim. A captação do melhor talento é absolutamente decisivo para termos as melhores universidades. Portanto, direi que este é o aspeto decisivo.” A fatalidade nacional da “cunha” é um problema que afeta o desenvolvimento económico da sociedade. Os jovens talentos  ficam com o desemprego ou com empregos precários e mal remunerados.

 

Nestes casos de pequena corrupção verificamos que por vezes estão em causa valores de muito pequena dimensão, que nalguns casos passam por exemplo por um almoço, por um pequeno presente, ou o atribuir a si uma prioridade privilegiada no plano de vacinação (já num outro plano).

 

Um facto relado pela ciência é que pessoas com mais de 65 anos correm maior risco de morrer de covid-19 do que as pessoas mais jovens, e aqueles com mais de 75 anos correm um risco ainda maior. Daí a necessidade de priorizar a vacinação. Da questão moral pretendo abstrair-me. Mas uma análise mais detalhada será eticamente significativa e merecedora do meu tempo (em outra altura). O enfoque agora é salvar mais vidas, o que deve ser a nossa prioridade.

 

É também o dia em que chega ao nosso país uma equipa de militares e profissionais de saúde alemães para ajudar no combate à pandemia. Obrigado Europa!

 

Finalmente a referência ao especto mais diretamente relacionado com os média, que se prende com a importância dos média nos trazerem estas práticas a público. As redes sociais com a publicação das fotos dos próprios “fura-filas” trazem-nos este tipo de práticas de alguns em particular que se julgam acima do seu cargo. Mas ficam a faltar outros mais discretos e não menos perigosos.

 

A questão não é se os que fizeram batota devem tomar a segunda dose. Mas sim como foi possível tomarem a primeira dose? Antes dos que estão na linha da frente e dos idosos? Hipertensão ao frúnculo na mão tudo serve para desculpa! Uma questão judicial que aguardamos os resultados justiça. Viver em sociedade, todos de alguma forma o sentimos, implica a existência e o reconhecimento mútuo de uma ordem, de regras, de um código de ética, que, no seu conjunto e de forma coerente, permita a comunicação e o bem-estar da comunidade. Na política a ética é tudo mas o talento pode ajudar.

 

 

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