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INTERIOR: Quais os desafios na gestão das cidades?

 

As cidades do interior devem ser epicentros socioeconómicos em que cada vez mais as pessoas procurem, emprego, serviços e opções culturais. Os serviços públicos das cidades do interior têm que passar a fornecer uma panóplia de serviços de qualidade incremental aos cidadãos que teimosamente continuam a viver por cá.

 

As cidades têm em si uma grande atividade social à qual devem dar resposta a partir de um planeamento mais eficiente, mais equilibrado e mais sustentável.

 

As cidades do interior na próxima década vão enfrentar outro tipo de desafios como sejam cidades mais sustentáveis, um aumento da mobilidade urbana, maior atratividade económica e turística e energeticamente mais eficiente. Com exigências de uma gestão integrada do território. A segurança dos espaços públicos, e no acesso aos serviços de saúde assim como e criação de uma cidade da informação. Estes desafios podem definir o sucesso ou insucesso do interior.

 

A Mobilidade urbana sustentável e a promoção de uma maior eficiência e eficácia na gestão e operacionalização da frota municipal podem ser o sinal que falta à comunidade.

 

FOTO: Harvard Business Review

 

Medidas como facilitar o estacionamento e a circulação na cidade que permitam promover o comércio de proximidade podem alavancar esta mudança de mentalidades. Assim como, criar maior produtividade e assegurar uma melhor gestão e planeamento da atividade diária da frota que circula no concelho. Aumentando a segurança dos condutores e bens, decorrente de uma monitorização em tempo real e dos alertas gerados em tempo real.

 

Por exemplo, foi concretizado um concurso público internacional para a concessão dos transportes urbanos de passageiros com o valor base de 1 milhão e 200 mil euros, e não foi acautelado que o vencedor disponibilize aos cidadãos um serviço integrado para a compra de bilhetes de transportes urbanos, com informação de horários e atualização contínua de funcionamento dos transportes, garantindo a gestão dos mesmos de forma eficiente, via paragens e via internet. Falta de visão de futuro! Falta planeamento! O planeamento do serviço, a monitorização da operação e a interação com o cidadão, a venda de bilhetes, a validação, fiscalização e pagamento podem e devem ser feitas de forma digital mantendo e melhorando os canais tradicionais. Há condições particulares no interior que facilitam esta operação. A maior satisfação dos cidadãos com o serviço de transporte público é o melhor promotor dos mesmos transportes públicos.

 

Um melhor ambiente e mais qualidade de vida na nossa cidade, começa na monitorização da qualidade do ar exterior e do ruído, em tempo real, com a medição de gases poluentes, partículas e pressão sonora. Coisas baratas de se fazer.

 

Na Guarda falta informação regular com indicadores atualizados da qualidade ambiental aos cidadãos, aos turistas, às empresas e outras entidades. Mas se nem informação sobre os casos Covid-19 a autarquia fornece como podemos exigir este tipo de informação? Podemos e devemos!

 

Outro exemplo, paradigmático é a falta de eficiência na gestão da recolha de resíduos na Guarda, não existe uma monitorização dos níveis de enchimento de todos os depósitos, recipientes e contentores para os diferentes tipos de resíduos sólidos urbanos geridos pelo município. O processo de recolha está entregue a uma empresa privada. Mas o Município não pode simplesmente ignorar este problema! Falta criar um processo de recolha de resíduos mais eficientes, com melhor gestão dos recursos humanos e viaturas, onde realmente é necessário. Ruas mais limpas, melhor ambiente resultarão numa cidade mais verde.

 

Outro exemplo, não faz sentido a autarquia cobrar às famílias a água por estimativa. Uma confusão contabilística! Pode simplesmente efetuar uma gestão do consumo de água de forma mais eficiente, obtendo remotamente as leituras. Ou uma monitorização em tempo real dos caudais perdidos na rede de abastecimento. É verdade que este executivo não paga a água em alta (só recebe) e que triplicou a dívida às Aguas de Portugal em apenas 7 anos. Mas cobrar consumos reais detalhados e recebendo alertas que permitem detetar rapidamente anomalias é melhorar o serviço aos cidadãos. Uma simples análise de balanço hídrico e de dados que permitam sensibilizar a população para a sustentabilidade é um passo em frente na sustentabilidade do concelho. Assim como detetar situações de fraude em tempo oportuno para atuar.

 

A autarquia realizou um investimento cego, ao nível da iluminação pública, com tecnologias teoricamente mais eficientes e inteligentes que permitem melhorar o nível de serviço, qualidade e segurança pública mas não tinha informação credível sobre a condição energética do concelho. Um investimento por fé!

 

A comunicação de algumas autarquias “é apenas campanha eleitoral”, e não partilham com os cidadãos informações úteis do município ou freguesias e receber feedback direto (ex: ocorrências num determinado local) e por vezes os cortes de água planeados são comunicados num domingo à tarde.

 

No turismo a Câmara da Guarda criou vários “sites”, que já estão desativados, em apenas um ano de utilização. A autarquia não conhece os padrões de comportamento dos turistas e visitantes do concelho por área geográfica e período de tempo, para um melhor entendimento dos fluxos: país ou cidade de proveniência, quantos dias ficam, zonas preferidas para pernoitar, o que visitam, entre outras informações. Recordo que assinou um acordo de cooperação nesta área com CUBA! Espero que os turistas Cubanos regressem à Guarda no pós-pandemia.

 

Falta promover a Guarda do futuro. Desenvolver e disponibilizar aos munícipes e visitantes experiências de conteúdos únicas, interativas e imersivas de realidade da Guarda, virtual e mista. Em pandemia a Guarda ficou parada à espera que outras cidades mais pequenas ocupem o lugar da capital de Distrito. Recordo que a autarquia não teve capacidade de gestão e tecnológica para colocar os trabalhadores em teletrabalho efetivo apesar de decorrer da legislação aprovada.

 

FOTO: Harvard Business Review

 

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