As notícias da Guarda mais perto de Si

Acontecimentos trágicos provocam mudanças políticas e sociais

 

 

Vivemos tempos diferentes mas não menos exigentes. A história teima em se repetir. As situações que a Europa vive atualmente, tais como pandemia, crises, pedidos de independências e picos de ideologias extremistas, não são novas.

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

Em todo o caso, os acontecimentos trágicos provocam mudanças políticas e sociais. Temos que estar preparados para a mudança. Essa mudança obrigatoriamente começa em cada um de nós.

 

Uma Guarda parada no tempo que urge mudar. Uma autarquia que apontou para o Hospital como solução para os problemas da pandemia. Uma autarquia que não manteve uma comunicação efetiva com os cidadãos durante a pandemia ao contrário de outras autarquias vizinhas. Uma visão ideológica neoliberal distorcida e de curto alcance – apontou para os meios de comunicação social privados, tendo como resultado a Autoridade de Saúde Local informou.

 

O turbilhão de informação em que vivemos, imersos de dados, faz com que não seja fácil olhar para o passado. Uma consulta rápida ao livro de História da Economia permite perceber que alguns dos acontecimentos mais importantes vividos no século XX e os que já caracterizam o século XXI são praticamente “cópias” de alguns que aconteceram há muitos anos ou até há séculos.

 

A “resposta coletiva que o país deu à pandemia deve levar os portugueses a melhorarem a sua autoestima”, diz António Costa. Acima de tudo, esta pandemia veio demonstrar as fragilidades das teorias neoliberais. O mercado não está a remunerar os investidores nem mesmo quem trabalha. Não é menos verdade que os agentes económicos estão de mão estendida ao Estado. Para os  neoliberais a Culpa é do Estado, mas a falta de clientes e a acentuada quebra do consumo tem origem no próprio mercado.

 

A pandemia foi uma externalidade negativa gerada por um vírus no decurso da sua vida, que influencia negativamente (nomeadamente no que respeita ao impacto na saúde) um conjunto de indivíduos que nada têm a ver com a referida atividade.

 

Os neoliberais que contestavam a intervenção estatal e defendiam o retorno dos mecanismos de mercado sucumbiram às mãos da falta de clientes. As quebras abruptas da procura e a diminuição do benefício marginal para os clientes (habituais) pode ainda fazer mais estragos na economia local no futuro. Sem medidas eficientes de Salvaguarda o caminho pode ser turtuoso.

 

Os recursos escassos da sociedade são usados para aqueles que estão doentes e para prevenir ou controlar a transmissão da infeção na sociedade. A capacidade produtiva da economia é restringida pela infeção e as relações económicas e comerciais foram alteradas ou interrompidas. Urge apostar na transformação Digital da economia local.

 

A falência das teorias neoliberais foram decisivas para a constituição de um novo projeto de Serviço Nacional de Saúde (nos anos oitenta) não apenas no âmbito de saúde pública, mas também desde a prevenção até aos cuidados continuados. Um Estado que a todos pode aconchegar! Um SNS que a todos acudiu (com falhas certamente) mas de que todos nos podemos orgulhar.

 

A liberalização e desregulação dos mercados e das próprias atividades produtivas e financeiras tem levado a situações críticas em que “o dinheiro dos contribuintes” tem sido a solução e nunca o problema. Não existe o conceito de dinheiro do Estado – o dinheiro é dos contribuintes que pagam impostos pelo que é uma obrigação de todos pugnar pela melhor gestão dos recursos públicos escassos.

 

O SNS é e foi uma inovação social que a Esquerda doou à nossa sociedade. Segundo Schumpeter (1982), qualquer inovação produz uma “destruição criadora”, na qual o “novo permanece ao lado do velho” e, mais tarde, ocupa seu lugar, deixando para trás “mortos e feridos”, mas impulsionando o progresso. O progresso da saúde em Portugal será de coexistência pública e privada. Mas nunca mais voltaremos a olhar para o SNS com os olhos do antigamente.

 

Neste sentido, a “inovação SNS” poderá resultar no futuro de novas combinações de meios produtivos, designando-se de inovação tecnológica, que comporta em si a inovação dos serviços e até à inovação de processos. Contudo, o conceito de inovação não pode nem deve esgotar-se na vertente de desenvolvimento tecnológico. A componente preventiva e de relacionamento com os cidadãos é um projeto que deveria ser estabelecido nos próximos 10 anos – conhecer a nossa sociedade e desenvolver políticas ativas de envelhecimento pode ser o caminho para garantir uma melhor saúde.

 

Uma aposta em políticas de saúde preventiva tem que ser exercida por médicos mas pode ser desenhada por políticos. São os clínicos que apostam na prevenção das doenças e na promoção da saúde. Apostar em determinadas atividades, e informar sobre, por exemplo, a importância de uma correta alimentação, da higiene pessoal, da prática de exercício físico, da prevenção de comportamentos de risco, etc pode aumentar a esperança de vida de uma população.

 

Outra importante intervenção de fundo é a realização de mais rastreios, tendo em vista a deteção precoce e prevenção de doenças ou lesões, de modo a levar os indivíduos a viver mais saudáveis.

 

Uma nova mentalidade, uma nova saúde vai emergir no pós pandemia, mas acima de tudo uma nova exigência sobre o SNS – Um SNS mais inovador e mais tecnológico. As tecnologias têm que ser colocadas ao serviço dos cidadãos e da sua Saúde.

 

FOTO: The Economist

 

 

(Fim do artigo – www.guardanoticias.pt – As notícias da Guarda no Facebook e Twiter).