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Normalidade do adesivo transfuga

 

Há alguns anos (não muitos), circular com máscara em Portugal podia ser merecedor de olhares indiscretos e reprovadores de tal comportamento. Alguns turistas de países asiáticos que visitavam a Europa utilizavam a máscara com relativa normalidade. A reprovação dos povos europeus era garantida (nessa época)!

 

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

 

Em Roma, em Julho de 2018, tinha alguma dificuldade em compreender que com o calor que se fazia sentir alguns turistas utilizassem a dita máscara.

 

Atualmente o uso de máscara na via pública, não só é obrigatório como pode ser alvo de coima. Obviamente a falta e máscara na via pública merece a reprovação de todos os cidadãos! Com toda a normalidade, todos usamos máscara na via pública.

 

A normalidade é também na Química uma unidade de medida que permite medir a concentração de um soluto num solvente. Uma solução é composta de duas coisas: uma que dissolve, que chamamos solvente, e outra que é dissolvida, que chamamos de soluto.

 

A normalidade na química é uma forma de expressar a concentração de uma solução.

 

Já a normalidade de um comportamento está associada à conduta de um sujeito que não apresente diferenças significativas relativamente à conduta do resto da sua comunidade.

 

Se os homens usarem saia (kilt), isso pode fazer parte da normalidade em certas regiões da Escócia, mas é considerado anormal em muitas outras sociedades.

 

FOTO: Harvard Business Review

 

Não nos podemos esquecer, contudo, que a normalidade tem uma componente de subjetividade e que depende sempre da nossa condição social e política, entre outras questões.

 

A campanha eleitoral em 2013 andava estranha: um socialista elogiava o programa eleitoral do PSD; um autarca do PS admitia votar no PSD de Álvaro Amaro. Não é de agora: ser militante ou simpatizante de um partido nunca garantiu fidelidade.

 

Em 2020, as direções nacionais dos partidos parecem querer decidir pelos cidadãos do interior. Já em Leiria, Aveiro, Santarém e Faro são as concelhias que decidem. Nas pequenas “aldeias do interior” decidem os de Lisboa e os debutantes políticos aplicam a solução mais ou menos concentrada de ideologia. Uma injeção de vitaminas na democracia desconcentrada dos interesses ocultos.

 

A estranheza mantem-se.

 

Na Guarda estamos a viver “um momento de decadência”, comparável aos “monárquicos que correram todos para os braços da República, aquilo a que chamaram os adesivos”, ou “aos republicanos que se entregaram a Salazar, os chamados “vira-casacas”, para não falarmos de ministros do nosso antigo regime que viraram professores de democracia. São os normais anormais dos chamados homens de sucesso que preferem torcer a quebrar”.

 

Talvez pelas autárquicas serem eleições mais pessoais, teoricamente acima dos partidos, é nas autárquicas que mais se registam histórias idênticas de “infidelidade”, se se quiser definir em modo “português suave” tal comportamento podemos usar o termo “trânsfuga”.

 

O transfuga seria aquele que ” deixa o partido político a que estava filiado para filiar-se a outro; aquele que renega seus princípios, que se descuida de seus deveres; soldado ou oficial que, em tempo de guerra, deserta das fileiras do exército do seu país e passa a servir no exército inimigo; desertor”.

 

O solvente desta sociedade, continua a acreditar nas ideologias e na verdade dos processos democráticos. O soluto da Democracia está em minoria, são “aves raras” – mas existem, servem-se dos partidos para arranjar um “empreguinho” e para inventar umas “histórias” de um qualquer cidadão que alimenta a sua família e ainda paga os seus impostos com trabalho honrado.

 

O solvente desta democracia tem que ganhar visibilidade e eliminar o soluto trânsfuga que mina a democracia nos partidos, e ainda lança o lodo sobre os membros normais da sociedade. Os normais anormais só olham para o sem umbigo.

 

A normalidade na política é uma forma de expressar a tendência de uma democracia. A normalidade política na Guarda começa a deixar-me intrigado!

 

 

 

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