As notícias da Guarda mais perto de Si 86d4e63d557e44029786b77c5bab0cb3

O Bom discurso confrangedor

 

Marcelo Rebelo de Sousa  distanciou-se dos temas quentes que marcam a atualidade do País, e quase não falou do interior. Mas temos que concordar que o discurso foi bom! Ser politicamente correto é agradar a todos e não produzir desenvolvimento para nenhum.

 

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

A corrupção, o campo de golf da marinha e a justiça passaram ao lado da intervenção do Presidente da República durante a celebração dos 47 anos do 25 de Abril, que decorreu no passado domingo na Assembleia da República.

 

O Presidente da Republica não pode ignorar o clientelismo e assalto recorrente ao aparelho do Estado só para fazer excelentes discursos. Nem mesmo as prioridades do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea.

 

O Presidente da Republica desprezou o maior incentivo europeu de sempre, a dita “bazuca” europeia e o seu investimento na economia local, sector privado e pela capitalização das empresas referiu-se apenas ao consumo de recursos europeus na digitalização do sector publico. Não referiu quais os critérios para o investimento apoiado, apenas manifestou preocupação, pelo destino que os fundos possam ter!

 

O Presidente decidiu fazer um discurso pacificador sem objetivos específicos para o desenvolvimento do interior de Portugal. Um interior a definhar onde os de Lisboa tentam colocar um garrote e um lençol de notas na boca de alguns. Mas temos que concordar que o discurso foi bom!

 

O que o Presidente pede, e bem, que o país não caia nos maniqueísmos justicialistas de uma realidade simplicista. Mas  que se olhe para a extensão e complexidade da sociedade contemporânea. Todos concordamos! Na Guarda os partidos políticos ficaram caladitos em nome da democracia que o 25 de abril produziu. Um discurso confrangedor dos políticos locais, mas um bom discurso eleitoral, em nome dos nobres valores da Democracia reduzidos aos interesses particulares de dois ou três melianos.

 

O troço ferroviário da Linha da Beira Baixa entre a Guarda e a Covilhã, que estava fechado desde 2009, reabre domingo ao serviço comercial após obras de requalificação e de eletrificação.

 

O Município de Belmonte assegurou as paragens nas estações e apeadeiros. Inclusivamente obrigou a IP SA  a construir um ramal de acesso ao parque industrial. O Município da Guarda “a ver passar os comboios” permitiu que o Barracão fosse anexado pelo concelho do Sabugal, ao invés de lhe dar visibilidade e de promover essa Estação a Guarda-B, criando mobilidade no concelho, e permitindo uma nova área de negócio para o concelho.

 

Se não fosse a sociedade-civil que prontamente se juntou nas redes sociais a reivindicar uma paragem na Benespera e no Barracão nem isso iria ter. É confrangedor o tipo de políticos que temos na Guarda e os distantes interesses ocultos que defendem (se é que defendem alguma coisa). Agora só falta reivindicar os horários adequados para uma mobilidade regional.

 

Teve que ser o PCP a aprovar (por unanimidade) uma moção na Assembleia Municipal para “Recomendar ao executivo municipal que se reúna com os responsáveis governamentais a fim de reivindicar esta justa exigência da população do concelho da Guarda”. Confrangedor!

 

 

FOTO: The Economist

 

(Fim do artigo – www.guardanoticias.pt – As notícias da Guarda no Facebook e Twiter).