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Acta est fabula

 

Convém que cada um se estime e se contente com os seus próprios méritos, e que não tome para si as vantagens que pertencem a outrem, para que, depois de removidas as tamanhas belezas não suscitem uma violenta risada, quando se ficar apenas com os defeitos.

 

(*) Nuno Fonseca Ferreira

Licenciado e Mestre em Engenharia Eletrónica e Telecomunicações

Master of Business Administration

 

 

“Nos negócios e na maioria das atividades, o conjunto de leis e normas não pode substituir inteiramente o julgamento humano sobre o que é certo e errado” referia Robert J. Samuelson. O Certo é cumprir as leis e as normas vigentes numa sociedade aparentemente democrática. A lei ensina fábulas da pior forma.

 

Desde criança que nos contam fábulas! Algumas dessas fábulas confirmadas durante a nossa vida adulta. Das fábulas citadinas podemos inferir a moral da própria fábula, estabelecendo uma relação entre a moral e o tema da fábula ou simplesmente olhar para o lado e fingir que não estamos a ver. Uma fábula será sempre uma fábula, mas um leão será sempre um leão, mesmo que seja campeão.

 

Nas fábulas de Esopo encontramos o quotidiano da nossa vida pública oculta. Hoje, lembro-me especialmente desta: Era uma vez um burro que encontrou, por acaso, uma pele de um leão da Getúlia. Aproveitou e cobriu o seu focinho com estes novos despojos e ajustou aos seus membros aquele desadequado disfarce e assim escondeu a sua pobre cabeça sob tão grande majestade.

 

Mas, quando uma terrível agitação assediou o seu espírito e quando um ilusório vigor se apoderou dos seus preguiçosos ossos, ele, pisando os pastos comuns do lameiro em que vivia, e na companhia de dóceis animais, assustava através dos seus campos, e até amedrontava as vacas.

 

Um camponês, depois de ter reconhecido o asno pelas suas grandes orelhas, amansa-o, depois de o ter dominado com cordas e umas fortes vergastadas no lombo.

 

Ao mesmo tempo que põe a nu, arrancando-lhe a pele, critica o pobre animal nestes termos: “talvez enganes os ingénuos com um falso rugido, mas, para mim, serás sempre um asno pequeno, como no passado.”

 

As aparências podem enganar a todos, mesmo que aquele que se esconda seja um tolo.

 

Recordo uma outra fábula, muito atual e que poderemos recordar com a maior profundidade .

 

Um rico ateniense navegava com outros passageiros em alto mar. Veio uma forte tempestade e o barco virou. Enquanto todos os seus “companheiros” lutavam nadando contra as ondas, o ateniense não parava de invocar Atena, prometendo-lhe uma oferenda atrás da outra se ela o salvasse. Um dos náufragos, que nadava a seu lado, disse-lhe: convoca Atena e também os teus braços. Ao procurares socorro convocando os deuses, é bom também fazermos a nossa parte. Acta est fabula.

 

FOTO: Harvard Business Review
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