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Castelo Mendo com “obra desenquadrada” na calçada

 

Visitantes da aldeia de Castelo Mendo consideram “um atentado” a obra (que está a decorrer) da instalação das “passadeiras nesta aldeia histórica”. A “descaracterização das ruas” através desta obra “está parada” por “falta de pedra”. Vários populares e empresários da localidade aproveitam as redes sociais para denunciar a forma “desenquadrada como a obra está a ser realizada”.

 

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Nos últimos dias o silêncio à volta das “passadeiras” tornou-se ensurdecedor em Castelo Mendo. Desde que começaram a ser visíveis as obras nas ruas desta Aldeia Histórica – classificada como “Imóvel de Interesse Público”, um rol de dúvidas e críticas abalaram estes últimos dias. A obra das “passadeiras desenquadradas com a calçada existente em todas as ruas da aldeia” terá provocado a ira dos residentes e naturais da aldeia de Castelo Mendo. O granito “desenquadrado da calçada” mereceu a ira da população de Castelo Mendo e de alguns “visitantes” que consideram um “atentado ao património” histórico e cultural desta importante aldeia histórica de Portugal.

 

Até ao momento não foi possível obter reação da Câmara Municipal de Almeida e da Direção Regional da Cultura do Centro.

 

Segundo as Aldeias de Portugal a calçada de Castelo Mendo “Apresenta uma extensão descontínua. A pavimentação, muito fragmentada, é composta por blocos de pedra assentes diretamente sobre o solo, aproveitando por vezes o afloramento granítico natural, mais ou menos desgastado”.

 

FOTO(s): Leitor Identificado

 

 

Castelo Mendo é um espaço “onde foi identificado um povoado deste período; séc. 13 / 14 – provável reconstrução ou pavimentação da calçada, tendo em conta a cronologia da vila e recinto fortificado; 1728 (?) – data epigrafada num rochedo que pontua o percurso, mas de difícil interpretação”, referem as Aldeias Históricas.

 

Recorde-se que, Castro Mendi é a designação que consta do documento mais antigo (1202) referente a Castelo Mendo. Apesar do local ter conhecido ocupação desde a Idade do Bronze e mostrar vestígios da presença romana, a estrutura fortificada e o modelo urbanístico caracterizadores de Castelo Mendo, são uma criação medieval concebida para enfrentar as necessidades impostas pela Reconquista Cristã nos séculos XII e XIII: promover o repovoamento dos territórios muçulmanos anexados ao reino português e sustentar as disputas territoriais fronteiriças com os reinos cristãos de Leão e Castela na região de Riba-Côa.

 

Recorde-se que Castelo Mendo foi concelho de fundação medieval, com foral concedido em 1229 por D. Sancho II, estatuto que perdeu com a reforma administrativa liberal em 1855.

 

Após  o séc. XIV, estabilizada a fronteira com o Tratado de Alcanizes em 1297, Castelo Mendo continuou a integrar a rede de fortificações que defendem a raia da beira interior. Este sistema defensivo medieval só perde a sua eficácia militar com o século XVII, período que vê surgir as fortificações modernas.

 

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Dois núcleos muralhados, de épocas construtivas diferentes, configuram Castelo Mendo. No cimo do cabeço rochoso, dominando a paisagem envolvente, situa-se o Castelo com dois recintos distintos. O aglomerado civil desenhado em torno da Igreja de Nossa Senhora do Castelo dividido do polo exclusivamente militar, localizado a Este, no ponto mais elevado, onde antes se erguia a Torre de Menagem. Com o crescimento da povoação, o primitivo núcleo, supõe-se que mandado edificar por D. Sancho I ou D. Sancho II, é aumentado com nova cerca no reinado de D. Dinis (fim do séc. XIII). Pela encosta se estendeu a Vila, nela se organizando a vida da população abraçada pelos muros.

 

Espaço fechado, comunica com o exterior por portas abertas a Norte, Poente e Nascente com acessos reforçados por torres.

 

A Igreja, reguladora dos comportamentos, acompanha os edifícios públicos, símbolos do poder político e da ordem civil: Casa da Câmara e Cadeia e Pelourinho. É também neste espaço privilegiado que as famílias localmente mais consideradas ergueram a sua casa.

 

Mas as populações que viviam dentro das muralhas dependiam quotidianamente do exterior. Aqui se situavam os campos cultivados e as terras de pastagens. Na devesa encontravam-se as fontes de água, de mergulho e todas datando do séc. XIII/XIV, como as Fontes Nova e Velha, e Estrufa, além do Chafariz remodelado posteriormente. Fora das muralhas tinham ainda lugar acontecimentos mais ocasionais: a realização da feira (Alpendre), com uma tradição que remonta ao séc. XIII, sendo das primeiras do reino; ou celebrações associadas ao culto católico (Calvário).

 

A aldeia de Castelo Mendo foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1984.

 

 

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