Rume a Portugal e às suas ondas sensacionais de 20 metros de altura, em cenários impressionantes. Surfistas de todo o mundo, especialmente franceses, afluem à Nazaré, na costa atlântica. Reportagem no paraíso europeu do esqui.
Este texto corresponde a parte da transcrição do relatório anterior. Clique no vídeo para assisti-lo na íntegra.
Vê-la se levantar, sorrir nos lábios, dançar na água, tudo parece fácil. É preciso dizer que Justine Dupont é frequentemente atingida por ondas mais altas que edifícios. Um viciado no perigo, que sempre que pode se atira à foz da Nazaré, na costa portuguesa. “Ter o privilégio de passar um momento com essas ondas poderosas onde, humanamente, não parece necessariamente viável.confia no múltiplo campeão mundial do grande surf.
Foi em Portugal onde em Dezembro passado enfrentou esta onda de 20 metros. Foi também aqui que ela escolheu viver, o mais próximo possível destes monstros de espuma. “As ondas em Portugal, eu diria, são muito variadas. Há muitas ondas diferentes, de locais diferentes. E a Nazaré é onde estão as maiores ondas do mundo”ela exulta.
Com quase 1.000 km de costa, Portugal é hoje o paraíso europeu para os surfistas. A primeira hora da manhã, na costa da Caparica, a 20 minutos de Lisboa, é hora de ponta. “Todas as manhãs, treinamos todas as manhãs”, escorrega um fã. “Tem gente de todos os lugares: portugueses, brasileiros, franceses. Então não venham aqui, já tem gente demais!”brinca um surfista.
Mas diante do swell, nem todos aguentam. Foi com alguma apreensão que Esmee Broers, da Holanda, de 16 anos, descobriu as suas primeiras sensações de deslizamento. “A primeira vez que vi as ondas fiquei com medo. Mas agora está melhor!”o surfista aprendiz confia. O instrutor José Rydel observa como os alunos se reúnem: “As praias estão cada vez mais protegidas. Às vezes até um pouco demais para os cariocas. Mas para as aulas, isso nos convém.”
Na praia, agora, as escolas de surf e as lojas de pranchas estão lotadas. A cultura das ondas está a remodelar a costa portuguesa. “O hotel Praia do Sol está em reforma e pronto para reabrir portas em breve”sublinha Romain Dian, dono do hotel mais antigo da cidade, dentro de alguns meses será um alojamento pensado para surfistas.
Com dois sócios, o francês investiu 10 milhões de euros para a renovar do chão ao teto. “Então aqui vou mostrar a área de surf. Obviamente, é preciso um pouco de imaginação porque ainda está em construção. Lá, por exemplo, haverá jatos de água superpotentes como o Karcher que permitirão que as roupas de neoprene sejam limpas muito rapidamente com prateleiras de metal que permitirão que elas sequem. Então chegamos à área de bem-estar.”explicar Um banho frio para descansar os músculos. Cerca de cinquenta salas com secretárias para teletrabalho. E, claro, uma vista direta para o oceano. “A escola de surf fica logo ali, dá para ver do telhado”Romain Dian nos mostra.
“Não creio que seja uma moda passageira. Ainda é um esporte que existe há cinquenta, sessenta anos. É também um esporte muito alinhado com os valores do nosso tempo”garante
Surf, um maremoto na terra dos marinheiros.