Quando pensamos na internet global, raramente consideramos que cerca de 99% do tráfego internacional passa por undersea cables submersos nos oceanos. Atualmente, existem mais de 500 cabos submarinos comerciais conectando continentes, mercados e residências ao redor do mundo. Esses cabos se estendem por aproximadamente 1,7 milhão de quilômetros, o suficiente para circundar a Terra várias vezes. Neste contexto, apresentamos a história do TAT-8, o primeiro undersea cable de fibra óptica transatlântico que entrou em operação em 14 de dezembro de 1988 e foi desativado em 2002. Essencialmente, este cabo revolucionou as comunicações globais e testemunhou eventos históricos marcantes. Vamos explorar por que este cabo histórico está sendo finalmente desativado e qual será seu destino.
O Primeiro Cabo Submarino de Fibra Óptica Que Conectou Continentes
O TAT-8 representou um marco nas comunicações globais como o primeiro fiber optic undersea cable transatlântico. O consórcio liderado pela AT&T Corporation, France Télécom e British Telecom construiu este undersea cable que percorreu uma distância de 5.846 km no leito marinho entre a América do Norte e a Europa. Os pontos de chegada foram estabelecidos em Tuckerton, Nova Jersey (Estados Unidos), Widemouth Bay (Inglaterra) e Penmarch (França).
A capacidade do cabo atingiu 280 Mbit/s, equivalente a 40.000 circuitos telefônicos simultâneos. Na verdade, esta capacidade representava dez vezes a capacidade do último cabo de cobre instalado. O AT&T Bell Laboratories desenvolveu as tecnologias fundamentais utilizadas no sistema, incluindo fibra de modo único de 1,3 mícron, lasers, detectores e repetidores de silício operando a 280 Mbps. Os repetidores foram posicionados a cada 40 km ao longo do cabo.
O custo inicial do projeto alcançou US$ 319,66 milhões. Igualmente surpreendente foi o fato de que a capacidade do cabo foi atingida em apenas dezoito meses, contrariando previsões otimistas de que levaria uma década para ser preenchida. Em 1989, a IBM financiou um link T1 dedicado entre a Universidade Cornell e o CERN usando esta nova capacidade disponível, concluído em fevereiro de 1990. Esta conexão de alta velocidade auxiliou Tim Berners-Lee nas primeiras demonstrações da World Wide Web dez meses depois.
Por Que o Cabo Histórico Está Sendo Desativado Agora
Os cabos submarinos são projetados com vida útil de aproximadamente 25 anos. Essencialmente, este prazo representa o período durante o qual os sistemas são considerados economicamente viáveis do ponto de vista da capacidade. Na realidade, porém, esses sistemas podem ter uma vida econômica muito mais curta porque seu desempenho pode ser ofuscado por arquiteturas e implementações de cabos mais recentes.
A desativação acontece quando os cabos simplesmente não conseguem fornecer tanta capacidade quanto os cabos mais novos a um custo comparável. Os custos de operação e manutenção se tornam proibitivos ao longo do tempo. Igualmente relevante é o fato de que cabos mais antigos enfrentam penalidades não lineares que se tornam o fator limitante da capacidade do par de fibras.
Os cabos recentes são capazes de transportar até 250 terabits de informação por segundo, números que representam a capacidade total possível se o proprietário instalasse todos os equipamentos disponíveis. Basicamente, a vida econômica de um cabo não depende dele atingir sua capacidade máxima, mas sim quando os custos de operação continuamente excedem as receitas. A avaliação do fim da vida econômica depende de fatores como ritmo de crescimento da demanda, erosão do preço da capacidade e custos de atualização.
O Processo de Desativação e Destino do Cabo
A desativação acontece através do desligamento do sistema elétrico e eletrônico e da desabilitação da transmissão de informação. Não existe uma posição definitiva sobre a desativação de cabos submarinos de telecomunicações, sendo que cada caso deve ser avaliado individualmente.
Devido a considerações ambientais, os procedimentos de remoção do cabo e algumas condições locais podem ter um impacto ambiental maior do que deixar o cabo no fundo do mar. Os cabos podem tornar-se habitats para espécies sésseis após o fim da vida operacional. Os cabos são compostos de materiais inertes, não estando prevista a retirada do fundo do mar após o fim da vida útil.
No final do período operacional, as opções para abandonar ou remover todo ou parte do cabo serão revistas tendo em consideração os requisitos regulamentares e a tecnologia disponível. Enquanto isso, muitas vezes os cabos são simplesmente declarados como desativados e abandonados no fundo do mar.
Em particular, iniciativas de reciclagem estão surgindo. A iniciativa Ocean Fiber da Nokia recupera 90% dos materiais de cabos antigos, incluindo metais raros como o érbio e condutores de cobre. A Global Subsea Cable Association divulgou suas primeiras diretrizes de sustentabilidade em 2024, promovendo protocolos de reciclagem padronizados.
Conclusão
Essencialmente, o TAT-8 representou uma revolução tecnológica que transformou as comunicações globais e possibilitou o nascimento da World Wide Web. Dado que sua capacidade foi ultrapassada por tecnologias mais avançadas, a desativação tornou-se inevitável após 25 anos de operação. Notavelmente, iniciativas de reciclagem e considerações ambientais agora moldam o destino destes cabos históricos. Testemunhamos assim o fim de uma era que, de fato, criou a internet interconectada que conhecemos hoje.