O Hilton CEO Christopher Nassetta identificou recentemente uma mudança econômica significativa nos Estados Unidos. A empresa reportou um aumento de 3,6% na receita por quarto disponível (RevPAR) no primeiro trimestre de 2026, sinalizando uma transformação no padrão de demanda. Com isto em mente, Nassetta introduziu o conceito de “economia em formato C”, sugerindo que o crescimento está se expandindo além do segmento de luxo. Neste artigo, exploramos o que significa essa nova forma econômica, por que o Hilton hotels CEO acredita nessa transição e como a indústria hoteleira responde a essas projeções. Além disso, analisamos os fatores econômicos que impulsionam essa mudança e suas implicações para consumidores de renda média.
O que é a Economia em Formato C e Como Difere do Modelo em K?
A recuperação econômica em forma de K representa uma divisão acentuada entre vencedores e perdedores. Peter Atwater, professor-adjunto da Universidade de Delaware, popularizou esse termo ao observar que alguns setores se recuperam vigorosamente enquanto outros permanecem em queda livre. De um lado, setores financeiro, de software, bancário, telecomunicações e imobiliário já recuperaram amplamente os empregos perdidos no início da pandemia. De outro, os setores de lazer e hotelaria, viagens ou alimentação viram metade dos empregos perdidos em abril e recuperaram apenas 50% desde então.
Segundo Atwater, “para os que estão no topo, a vida nunca foi melhor do que agora. Mas quem está na base da pirâmide, está à beira do desespero”. Esse padrão concentra capital nas grandes empresas, gera fusões e aquisições, enquanto pequenos negócios enfrentam falência. Os frutos do progresso econômico não são apropriados pelas populações pobres ou pela classe média, gerando crescimento com diminuição do bem-estar.
Em contrapartida, a economia em formato C sugere um achatamento dessa bifurcação. Nassetta avalia que a atual divisão do modelo em K deve diminuir, com tendência de achatamento. Essa transição indica uma distribuição mais equilibrada do crescimento econômico entre diferentes segmentos da população e setores da economia.
Por que Christopher Nassetta Prevê Essa Mudança Econômica nos EUA?
Nassetta fundamenta sua previsão em dados operacionais concretos da Hilton. A empresa registrou aumento de 3,6% no RevPAR durante o primeiro trimestre de 2026, com crescimento distribuído em todas as escalas de cadeia, marcas e segmentos de clientes. Segundo Nassetta, “os resultados demonstram uma continuação das tendências de fortalecimento da demanda que vimos desde o final de 2025, apoiadas por ventos favoráveis macroeconômicos mais evidentes nos Estados Unidos”. A projeção para o ano completo de 2026 indica crescimento do RevPAR entre 2% e 3%.
Além disso, indicadores macroeconômicos reforçam essa perspectiva. A renda média das famílias ajustada pela inflação recuperou-se em 2023 para níveis próximos aos de 2019, restaurando o poder de compra dos americanos. A taxa de desemprego atingiu 3,4% em abril de 2023, o menor nível em 50 anos. Enquanto isso, a inflação registrou 2,9% em dezembro de 2024, permitindo ao Federal Reserve reduzir a taxa básica de juros para o intervalo de 4,25% a 4,50%.
Nassetta observa ventos favoráveis crescentes, com melhora nos padrões de demanda combinada à recuperação global e crescimento limitado da oferta. Essa convergência de fatores sustenta sua tese de achatamento da bifurcação econômica.
Como Competidores da Hilton Reagem à Tese da Economia em C?
Em contrapartida à previsão de Nassetta, grandes concorrentes mantêm investimentos concentrados no segmento de luxo. A Marriott International anunciou a expansão de seu portfólio premium com 249 novas unidades até 2026, reforçando presença na América Latina e Caribe. Louise Bang, Chief Commercial Officer da empresa, destacou que o portfólio de luxo conta com sete marcas distribuídas em 75 países.
Similarmente, a Hyatt Hotels Corporation revelou um pipeline de mais de 50 hotéis de luxo e lifestyle programados para abertura até 2026. O CEO Mark Hoplamazian afirmou que a rede mantém foco seletivo em segmentos premium, com 70% dos quartos classificados como luxo ou alto padrão. O programa de fidelidade da Hyatt cresceu 22% no último ano, somando 51 milhões de membros no terceiro trimestre.
Além disso, dados de consumo sustentam essa estratégia premium. A Visa reportou crescimento de 4,2% nos gastos de fim de ano nos Estados Unidos, enquanto o volume de pagamentos aumentou 8% no trimestre encerrado em junho. Chris Suh, diretor financeiro da Visa, declarou que “as despesas discricionárias e não discricionárias continuam robustas”, indicando resiliência do consumidor em múltiplas faixas de renda.
Conclusão
Indubitavelmente, a tese de Nassetta sobre a economia em formato C desafia o consenso atual do mercado. Os dados operacionais da Hilton demonstram recuperação distribuída entre segmentos, sustentada por indicadores macroeconômicos favoráveis. Entretanto, competidores como Marriott e Hyatt mantêm apostas concentradas no luxo. Essa divergência estratégica revelará, em última análise, qual interpretação das tendências econômicas se confirmará nos próximos trimestres, definindo os vencedores dessa transformação.