A Mango já providenciou a renúncia temporária de Jonathan Andic do cargo de vice-presidente do conselho de administração da empresa. O filho mais velho, Isak Andic, anunciou que deixará o cargo em 26 de maio, uma semana depois que a juíza Martorell Raquel Nieto o acusou de supostamente matar seu pai após prendê-lo e roubar seus registros.
A empresa já publicou o cancelamento de Jonathan no Diário Oficial do Registro Comercial (BORME), conforme determina a lei. O documento inclui a suspensão do cargo de administrador representante da Black Indigo AR Corporation, sociedade empresarial criada pelo arguido no ano passado no processo de reorganização do património familiar e a distribuição equitativa da herança recebida do seu pai com as suas duas irmãs, Sarah e Judith Andic Raig.
Empresas para dar continuidade ao legado do fundador da Mango
Os dois últimos criaram a Kiwi Ar Corporation e a Pitaya Ar Holdings, respectivamente. Nos três casos, as empresas recebem os nomes da holding, localizada no número 65 da Passeig de Gràcia, em Barcelona. Foi aqui que foi inaugurada a primeira loja da história da Mango e onde está localizada a Punta Na Holding, empresa-mãe que engloba todos os negócios da família Andic, do pai e da Mango.
Através deles, os três irmãos Andic, detentores de 95% da Mango, estão representados no conselho de administração da empresa familiar.
Quando Jonathan Andic anunciou a sua demissão, garantiu numa carta que enviou ao público que se tratava de uma mudança temporária, até que a natureza do seu trabalho fosse esclarecida e a sua inocência fosse provada.
A decisão foi apoiada por unanimidade pelos demais membros do conselho de administração, tendo Toni Ruiz como presidente, presidente e CEO. O fato de Mango não atuar como vice-presidente também mostra confiança em Jonathan Andic. Foi o que afirmou o próprio Toni Ruiz num comunicado interno há um mês, onde transmitiu “o seu maior respeito, compreensão e apoio” ao filho do fundador. Foi reconhecido o apoio dos demais membros do conselho de administração, da diretoria e dos independentes. A carta de Ruiz dizia que ambos estavam confiantes de que o problema seria resolvido o mais rápido possível.
O processo judicial entra numa nova fase a partir da próxima semana com o depoimento das primeiras testemunhas. A agente de saúde da família María Julia L. deverá comparecer aos tribunais de Martorell na terça-feira e tentar usar o sigilo profissional, conforme noticiou o La Vanguardia nesta sexta-feira. Este ponto é, no entanto, questionável, uma vez que a terapeuta não consta como membro nem na Espanha, onde trabalhou na alta sociedade da cidade, nem no Equador, de onde veio, nem na Alemanha, onde esteve regularmente.