Os britânicos foram instados a parar de ignorar os riscos e atualizar a tecnologia antiga o mais rápido possível (Imagem: Getty)
Foi lançado um alerta de cibersegurança, enquanto os especialistas revelam que já estamos presos no meio de uma guerra global silenciosa e invisível – com os cidadãos comuns na linha da frente. A Direcção Australiana de Sinais (ASD) soou o alarme, alertando que os hackers russos estão a visar activamente indústrias e infra-estruturas críticas, incluindo redes de comunicações, fornecedores de energia, serviços financeiros e a indústria de defesa.
Autoridades de segurança alertaram que não é mais uma questão de saber se ocorrerá uma violação catastrófica, mas sim quando. Os cibercriminosos não se importam com fronteiras – eles vão direto atrás dos lugares que mais nos prejudicam, como as prefeituras locais, os hospitais e os supermercados dos quais dependemos. “Não se trata de fomentar o medo. Trata-se de preparação”, alertou Lincoln Goldsmith, diretor da empresa de segurança digital Semperis. “Não é uma questão de se. É uma questão de quando. Você quase tem que pegar a segurança que já violou.”
A Rússia tem como alvo deliberado nações que se opõem às suas acções geopolíticas, incluindo membros da aliança de inteligência Five Eyes. (Imagem: Getty)
De acordo com analistas de segurança, a Rússia tem como alvo deliberado nações que se opõem às suas acções geopolíticas, incluindo membros da aliança de inteligência Five Eyes – o Reino Unido, os EUA, a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia.
Estas organizações cibernéticas financiadas pelo Estado possuem enorme poder e recursos informáticos, que utilizam para lançar incansavelmente campanhas sofisticadas contra infra-estruturas civis.
Muitas pessoas ainda pensam que a guerra cibernética se limita à ficção científica, mas as consequências no mundo real já se revelaram devastadoras.
Num incidente horrível na Flórida, hackers se infiltraram em uma instalação local de tratamento de água usando software de acesso remoto. Um funcionário horrorizado viu seu mouse se mover sozinho pela tela, abrindo painéis de controle para aumentar a concentração de hidróxido de sódio na água potável para níveis tóxicos e letais antes que o ataque fosse interrompido manualmente.
A gigante automotiva Jaguar Land Rover também foi vítima de um ataque complexo que começou através do dispositivo pessoal de um único funcionário inseguro. Uma vez lá dentro, os hackers encontraram as chaves dos sistemas avançados, fechando completamente a fábrica inteligente e causando grandes perturbações em toda a cadeia de abastecimento.
Os hackers procurarão ativamente elos fracos, como roteadores de Internet antigos ou computadores desatualizados. (Imagem: Getty)
Ainda mais alarmantes são os ataques diretos às infraestruturas públicas. Hackers de inteligência russos lançaram recentemente um ataque coordenado à rede eléctrica da Polónia, explorando nomes de utilizador e palavras-passe de fábricas em sistemas remotos. A interrupção cortou a energia de meio milhão de cidadãos, deixando as famílias completamente incapazes de aquecer as suas casas durante o auge do inverno.
Especialistas alertaram que a rápida expansão da Internet das Coisas (IoT) deixou uma “superfície de ataque temerosamente exposta”. Utensílios domésticos de uso diário agora estão sendo usados por hackers para entrar furtivamente em nossas vidas.
Desde smart TVs e assistentes de voz com IA até chaleiras e frigoríficos ligados à Internet, estamos a encher as nossas casas com dispositivos que abrem uma porta traseira aos criminosos.
Se um hacker não conseguir quebrar o firewall de uma empresa altamente protegido, ele simplesmente procurará um alvo mais fácil. Isso significa que eles estão procurando ativamente por pontos fracos em sua casa, como um roteador de Internet antigo ou um computador desatualizado que ainda executa software não compatível, como o Windows 10.
A ameaça é agora tão grave que a aliança de inteligência Five Eyes ordenou uma auditoria urgente de todos os dispositivos conectados.
Enquanto o Exército e a Marinha protegem as nossas fronteiras físicas, as pessoas comuns e as lojas locais foram deixadas para defender a linha da frente digital. Os especialistas em segurança alertaram-nos para pararmos de ignorar os riscos, actualizarmos as nossas tecnologias antigas e pensarmos duas vezes antes de ligarmos os aparelhos domésticos do dia-a-dia à Internet.