17 mexicanos mortos sob custódia ou operações de fiscalização do ICE, diz México, anunciando ação legal – Houston Public Media

17 mexicanos mortos sob custódia ou operações de fiscalização do ICE, diz México, anunciando ação legal – Houston Public Media


A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, durante um briefing sobre as batidas do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) contra imigrantes no Palácio Nacional. (9 de junho de 2025, na Cidade do México, México) (Carlos Santiago/ Grupo Eyepix | REUTERS)

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O México planeja iniciar ações criminais e civis nos Estados Unidos pelas mortes de mexicanos durante as operações de custódia e fiscalização do ICE, disse a presidente Claudia Sheinbaum na quinta-feira.

O anúncio ocorre depois que um agente do ICE matou a tiros o imigrante mexicano Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, durante uma operação policial no bairro Magnolia Park, em Houston, em 7 de julho. Salgado Araujo morava nos Estados Unidos há décadas e tinha um pedido de autorização de trabalho pendente.

O ministro das Relações Exteriores, Roberto Velasco, disse que o México registrou 17 mortes de mexicanos ligados ao ICE desde o início da atual repressão à imigração nos EUA.

Sheinbaum disse que seu governo não dependeria mais apenas de notas diplomáticas de protesto.

“Faremos tudo o que pudermos”, disse ele, acrescentando que o México não poderia deixar de agir em resposta às mortes de mexicanos durante as operações de fiscalização do ICE ou em centros de detenção administrados por empresas privadas contratadas pelo ICE. Ela disse que o México continuará a fornecer apoio consular às famílias e aos detidos, especialmente aos mexicanos “cujo único crime é trabalhar honestamente nos Estados Unidos”.

Velasco disse que o Ministério das Relações Exteriores pedirá ao gabinete do procurador-geral do México que encaminhe os casos ao gabinete do procurador dos EUA e ao Departamento de Justiça dos EUA para buscar investigações criminais. Ele disse que as referências seriam apresentadas “contra os responsáveis”.

As autoridades norte-americanas afirmaram que os agentes estavam a realizar uma operação quando Salgado Araujo tentou fugir à detenção e utilizou o seu veículo como arma, o que levou um agente a disparar em legítima defesa. Mas testemunhas e familiares contestaram esse relato. O El País noticiou que se ouviram vizinhos gritar: “Estão me matando!” após o tiroteio, e sua família disse que soube de sua morte pela primeira vez por meio de vídeos e redes sociais, e não das autoridades.

A estratégia jurídica do México também inclui ações civis contra empresas privadas que operam centros de detenção do ICE. Velasco disse que o México enviará cartas de cessação e desistência às empresas exigindo mudanças nas práticas e condições de detenção que o México afirma terem violado os direitos humanos e contribuído para a morte de detidos mexicanos.

“Formalmente, pedimos a estas empresas que parem de realizar estas ações”, disse Velasco, que explicou que as cartas também exigirão mudanças nas condições que levaram às mortes mexicanas.

O México também busca pressão internacional. Velasco disse que o governo pediu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, juntamente com grupos da sociedade civil, que buscassem proteção para os mexicanos detidos nos Estados Unidos. O México também pediu a Volker Türk, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, que defendesse a protecção dos mexicanos sob custódia do ICE. Ao mesmo tempo, as autoridades mexicanas em Washington foram instruídas a procurar reuniões urgentes com as autoridades dos EUA, incluindo membros do Congresso.

O México já enviou 11 notas diplomáticas formais a Washington solicitando esclarecimentos sobre as mortes, mas as autoridades disseram que as respostas não produziram uma responsabilização satisfatória. As autoridades disseram que, embora o México continue empenhado em cooperar com os Estados Unidos, a responsabilização pelas mortes tornou-se uma prioridade.



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